segunda-feira, setembro 28, 2009

postal do areal

ao ranger da porta acordo. no exterior o sol bate forte na calçada. ouço as vozes dos vizinhos na rua, o tilintar do metal das chaves do carro, o ladrar da chinha. o odor a café e pão com manteiga obrigam-me a despertar e a sair da cama. a parede com pratos partidos, o cheiro tão característico dos azulejos usados, as cadeiras de madeira e a vista da baixa. bebo a golada final do café e parto.

sexta-feira, abril 03, 2009

chuva

fixo o meu olhar no cascalho. uma bruma avizinha-se rapidamente sem darmos conta, rodeando-nos com todo o seu tremor húmido, triste e arruaceiro. começo a sentir na minha testa pequenas gotas de água. chuva. penso em proteger-me mas algo impele-me a ficar na rua, a sentir tudo o que me rodeia, o vento, a chuva e aquele longíquo chilrear. naquele instante sorrio. estou onde quero.

rodo sobre mim mesmo, abraço a árvore e cumprimento o meu pai ao longe no pomar. batatas e flores.

quinta-feira, março 05, 2009

Dia F

De luto pela Fajã do Calhau. Um atentado ambiental que urge parar!

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

[um flashforward em termos temporais]

existem fóruns de internet realmente interessantes, nos quais todas as opiniões sejam válidas na generalidade outside web ?

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

- constantes -

deito-me no chão e olho para baixo da cama. lá  não encontro nada. só pó. revoltado levanto-me em direcção às cortinas alaranjadas. um outro mundo escondido por detrás delas. castelos, bicicletas. barris e baús. roupas da tropa, discos de vinil antigos e bonecos. estão sempre lá. nas posições familiares que nunca falham. ano após ano. 
uma constante reconfortante.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

manhãs de verão

ouço e respiro os sons típicos das manhãs.
buzinas e vozes humanas a ressoar no meu ouvido. a melodia das portas abrindo e fechando. um ou outro nome desconhecido. tão rápido surgem como desaparecem, subindo a rua em procissão, acordando todos com a sua passagem. fulminante.
um quotidiano matinal inolvidável.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

actos de bravura

sinto a vulnerabilidade no ar. pressinto uma luta desigual. o momento desperta-me do marasmo que me domava. desço as escadas de cimento e o carreiro de terra logo a seguir anuncia-se húmido e escorregadio. trivialidades num campo de rosas que cessam de existir.

sábado, fevereiro 07, 2009

[encontros finais]

remexi num baú, procurando algo. quis olhar não querendo olhar. diferenças e semelhanças nos ramos das árvores. lá fundo encontrei o que queria.
paz de alma.

sábado, janeiro 31, 2009

consultórios

uma rua em obras. à esquerda, uma porta bege aberta. paredes de cimento esburacadas e alguma lama. entro e subo as escadas de madeira envernizada. uma sala de espera. fixo-me num quadro do planeta terra. elípticas. variados quadros e diplomas e ao centro uma grande mesa redonda ladeada por cadeiras. sinto que viajei no tempo e isso é desconfortante. dobro a folha de papel e parto.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

pela noite dentro

cedo ao escuro. o ranger do chão de madeira, o bafio e aquele espanta-espíritos não me deixam adormecer. do outro lado do quarto uma sombra deitada na cama. lá fora sinto o miar dos gatos e os ramos das árvores. à medida que habituo os meus olhos à escuridão, olho fixamente para o chão. tapetes. velas. a disposição familiar das roupas e das malas. levanto a cabeça, para encontrar na parede caiada de branco, uma pintura.
Sorrio e deixo-me levar pelo sono.

lá fora

pessoas. uma rua enfeitada de gente, portas abertas e janelas entreabertas. enquanto o sol bate forte nas vidraças, ouço o gentil murmurar de vozes e passos. levanto-me e sorrateiramente, ainda meio bêbedo de sono, descortino uma procissão. um estranho silêncio na rua enquanto a imagem passa.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

rotinas de uma subida

brumas. alamedas de árvores e vacas. no alcatrão marcas de travagens bruscas, um contínuo branco que não é respeitado. na subida final, pela nossa direita o muro de pedra, ele sim descontínuo, com marcas de terra e musgo. o portão de ferro preto, enferrujado a chiar como sempre o conheci. 
Olho o horizonte e uma vez mais perco-me na sua imensidão.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Correio

um postal de memórias póstumas. Num céu cinza, nuvens de prata, ouço a chuva bater na janela de madeira carunchada. Lá fora nevoeiro denso. Os assobios melodiosos do vento acalmam-me. Tranporto-me para o sótão envolto num perfume conhecido. Mofo. Livros e camas antigas. Nas frestas do tecto e das paredes caiadas o vento torna a assobiar. Olho pela janela novamente. Vidros embaciados.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Abrindo a porta da casa de trás encontro

Uma alavanca. O cheiro do alcatrão invadindo o alpendre. A porta de madeira e o jardim em pano de fundo. Pela direita o cemitério. Margaridas e rosas. Vasos e uma enxada a tocarem-se. No interior da casa de trás, uma frigorífico velho, o cheiro intenso a batatas e a pó. Antiguidades. Jornais e papéis bolorentos que te transportam para um passado recente. Volto as costas ao seu poder.

Bolsas de Ar

são úteis. como os bancos de jardim. e as tardes soalheiras passadas no jardim ou debaixo do castanheiro a jogar à bola. O milheiral ali ao lado e o Atlântico a exibir a nortada costumeira de Verão.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Herdar a Terra

Outro dia despertei com o som de uma sinfonia. Menos mal. Sempre é melhor que ser acordado com o barulho de um aspirador, no quarto, e são apenas 9h da manhã. é inevitável não pensarmos "foda-se! tinha de ser mesmo agora ?" . Aliás a minha teoria (sim, tenho algumas) de um bom acordar (inspirado num concurso que anda por aí) é que os despertadores irritantes (eles são todos assim por inerência) deviam ser banidos. Em vez de andarmos por aí a destruir a Floresta Amazónica, e com isso provocar as cheias nos desertos, está na altura de destruir tudo o que for despertador.
Ou então inventem. Mas inventem um daqueles XPT-3. que XPT-O já está desactualizado.
Por falar em desactualizado, lembrei-me agora de que a máquina digital da família funciona a pilhas. E pensam vocês - "e daí? quelle est le problème?". Pois bem, as pilhas não duram 10 fotos. Ao cabo da dezena, já a máquina não liga. E fico eu a olhar para o nada. Ida ao mercado para comprar as "porras" das pilhas. Cada uma 2 euros e tal. Não dá.
Quem a inventou devia estar com os copos. Bateria meu amigo. Nada de pilhas. As pilhas são baterias móveis. Quero uma fixa para poder carregá-la quando bem quiser. Vivemos no séc. XXI ou não ?
Das pilhas para o Pilhão e para os resíduos. O ambiente está todo lixado. O clima também parece que já esteve melhorzito. Mas nada de especial. Deserto com chuva e neve! também não faz mal nenhum, aquilo é só areia e mais deserto,uma chuvada não vai fazer com que aquilo se torne numa floresta. Enfim,os alarmismos do costume.
Eis que com alarmismos chegamos ao alarme. Do despertador. E do aspirador. Foda-se, as idéias tinham de desaparecer agora ??

sexta-feira, novembro 16, 2007

Los mobiles tele-celulares

foram feitos para serem atendidos. Mas há vezes em que nem nos apetece atender. Aliás todo o processo de atendimento é anormal.
Isto tudo porque está a chover lá fora. E porque o novo acordo ortográfico irá ser posto em práctica (ou será prática?) nestes próximos 10 anos. Já está pronto desde os idos de 1988 e este 1 de Janeiro já completam 20 anos (!!!) desde que foi iniciado.
E porque a chuva continua a cair lá fora e o meu telemóvel não está em si. Ou seja não está a receber chamadas. E porque tudo lá fora está cinzento.
Aliás desconfio de tudo lá fora. Menos das árvores. E das folhas.

domingo, setembro 02, 2007

The Bongo

Mama was queen of the mambo
Papa was king of the Congo
Deep down in the jungle
I started bangin' my first bongo

Every monkey'd like to be
In my place instead of me
Cause I'm the king of bongo, baby
I'm the king of bongo bong

I went to the big town
Where there is a lot of sound
From the jungle to the city
Looking for a bigger crown
So I play my boogie
For the people of big city
But they don't go crazy
When I'm bangin' on my boogie

I'm the "king of the bongo, king of the bongo bong"
Hear me when I come
"King of the bongo, king of the bongo bong"

They say that I'm a clown
Making too much dirty sound
They say there is no place for little monkey in this town.

Nobody'd like to be in my place instead of me
Cause nobody go crazy when I'm bangin' on my boogie
I'm the "king of the bongo", king of the bongo bong
Hear me when I come
"King of the bongo, king of the bongo bong"

Bangin' on my bongo all that swing belongs to me
I'm so happy there's nobody in my place instead of me
I'm a king without a crown hanging loose in a big town
But I'm the king of bongo baby I'm the king of bongo bong
"King of the bongo, king of the bongo bong"

Hear me when I come, baby, king of the bongo, king of the bongo bong...

Esperando la Ultima Ola

Esperando la ultima ola
Patchamama me muero de pena
Escuchando la ultima rola
Mamacita te invito a bailar...

Por el suelo camina mi pueblo
Por el suelo moliendo condena
Por el suelo el infierno quema
Por el suelo la raza va ciega...
Esperando la ultima ola
Patchamama me muero de pena
Escuchando la ultima rola
Mamacita te invito a bailar...

- 3 -

Il est onze heures à Rio… Les chansons naissent à tous moments… Sans prévenir…
l faut les apprendre vite… Avant qu'elles ne s'envolent…