sábado, maio 19, 2012

truques primários

conjunto de letras entrelaçadas por um ranger de portão. ladrar apenas resulta ao final do dia. permutas que nos consolam a mente e um pedido de agradecimento. ecuménico é o resultado intervalado daquela incerteza humana. são apenas duas as que se intrometem no fulgor do bater das ondas. a praia está completa de diversos mundos. o pedestal serviu apenas para termos acesso ao triturar das palavras.
caminham sozinhas. acompanham-as, a espaços, um sopro. marítimo e matinal como sempre. essa marca de ilhéu, entrecortada pelo ritual da voz e do sino.
o aguaceiro forte e a válvula de pressão. criações e abstraccionismo de mãos dadas. tentativas vãs em perceber o poder das palavras soltas.

limites urbanos

com dois cancioneiros. humor acumulado. o ar deixa a sua marca, impregnado de melancolias apressadas e não desejadas. pouco sentidas mas muito vividas. a justiça costuma chegar na vertical e na companhia do intérprete desconhecido (de muitos). aos poucos a vela, acendida com uma mão enrugada, vai dando de si. a companhia, essa, está deitada. cansada. entristecida e com um esgar de agonias cardíacas. pouco ou nenhum sentido.
a presença confortável é cortada pelo chegar da aurora. na foz do querer apenas um sentimento, o da descrença total.

inutilidades formosas

da calmaria surgiu um tudo. fitas cortadas, vitórias alcançadas, cartas perdidas num daqueles recantos pouco ou nada visitados. olhares e falas sem norte, frenéticas e guturais. o nevoeiro intenso tolda sempre o navegador  e o seu diário mental. percorro o fio do novelo. interminável. com espaços em branco, impossíveis de serem preenchidos.
uma possibilidade enganadora, intriguista e desejosa de água. caminho levemente, como um caracol, guiado somente pelo dedilhar de uma guitarra electrónica e o teclado incessante do piano. um pássaro e a chave. manter-me à superfície no livro à beira de cair da mesa.

sem forma

rarefeito. de uma dúvida que assombra qualquer um. defeituoso carácter, disforme e rochoso. a triste lembrança patenteada. perene e imutável. ao alcance de uma cicatriz. num corredor encarcerado e o tumulto a chegar. uma camisa rasgada, ferida de morte. um pecado capital. neste chão carregado de incertezas, o sangue quente brota e pende em direcção ao invisível.
histórias de amor que nunca o foram.

segunda-feira, março 12, 2012

Fardos ocultos

uma terra que nos prende. uma sensação de empatia que nos faz ficar. o tilintar das chaves alertam-me para um silêncio aterrador. ao fundo, uma terapia primaveril. mais perto, numa sensação mais aconchegante, disse-me ao ouvido: "não venhas mais".
passadeira. o semáforo recorrente e no vermelho novamente. tudo me prende. helenística, uma palavra cara e aparentemente simbólica. já me verguei ao poder do céu. perspectiva não religiosa nem condicionante.
soltas. as palavras. por vezes ocultas.

Cidade perdida no tempo

A nuvem evaporou-se
Com duas carícias.
Foi assim que o Sol apareceu
Enganado pela
iluminária do tecto, entretanto abalada.
O odor a mar
Impregnado de saudade
Temperado com enxofre.

Foi ele que me aconselhou
A escrever às nuvens
Passageiras e incontornáveis
Com ares de espuma e sabor a água.

adenda: visões de um éden abandonado percorrem os meus sonhos. a queda das flores, o voo e um céu que contempla a paisagem.






quinta-feira, outubro 20, 2011

macieiras

divisões fotográficas corrompem-me em todos os instantes. numa golada de ar, sopro e consigo, finalmente, encher o balão. quando cheio é alvo de todas as atenções e sorrisos. no pátio solarengo ouvem-se as vozes familiares, o convívio estival que convida à moleza. incomodado sigo em frente e abro, novamente, a porta para ser arrebatado. três aves sobrevoam a macieira fecunda. o antigo trilho está coberto de musgo.
conta-me aquela história por favor.

delícias outonais

um chão de carpete castanho claro. novo rasgo de memória que me aclara o pensamento. duas maneiras de olhar o mundo e o que nos rodeia. ali perto, num vaso escondido, no canto, uma rosa vermelha a definhar. o sol bate na janela entreaberta iluminando o pó que dificilmente assenta. três pancadas distintas na porta e o mugir de uma vaca só, no pasto circundante, fazem-me levantar vagarosamente. pressinto uma nova aurora.

sexta-feira, setembro 16, 2011

brancos

sentidos perdidos. ao de leve, o escrevinhar de um lápis nº2 alerta-me. as veias saltam e definham lentamente, como uma fogueira comunitária. a acreditar na previsão, todos regressaremos ao estado mais puro. o branco.

quinta-feira, setembro 01, 2011

Nimbus

o poderio da nuvem contrasta com a sua cor esbranquiçada. estrangulada, segue o seu rumo sem desvios. na linha que define o fim do mundo uma marca. de cimento, batida pelas horas. o ziguezaguear bruto, o tornear suave e ligeiro e a dança pedem para tornar este momento indefinido e em loop. uma loura e um escrito velho giram à minha volta. um postal no cimo do monte, coberto de um nevoeiro denso e escuro.

segunda-feira, maio 09, 2011

rumo a Este

o vento leva-me pelo mar fora e rodeia-me de estrelas cadentes e de um céu luminoso como nunca antes visto. num quotidiano preenchido de azul e a vastidão oceânica, consigo encaixar tudo como um simples puzzle.
o sol bate no contraplacado em movimentos pendulares. a madeira do quarto de popa range e o marulho revolve e envolve tudo.
atemorizado por um certo vazio da noite, desço o lance de escadas e dou comigo envolvido por uma escuridão que, incrivelmente, é reconfortante. adormeço.

quarta-feira, março 30, 2011

tiradas de paz

o tempo dá de si. novamente. o sangue que se esvai daquela veia imensa. um esgar e o último som de vida. o soalho, fecundo e simultaneamente morto, tem uma cicatriz. uma planta e cinco dedos.
na esquina do corredor está escuro. mas com cal. 18 anos sem dar sinal de si.
uma fiada de letras tornou-a mais pensativa e optimista.

terça-feira, março 29, 2011

soprar as velas

doce passagem. aplausos e aquela batida constante do coração. os tons de Primavera que começam a notar-se de dia. e de noite, ainda o soar do Inverno, querendo dar mostras de não quebrar. o aniversário de Março é o prenúncio do que está para chegar. todos juntos como sempre, aquela certeza familiar que são o sopro das velas e o chocolate no bolo.

ah, e os postais também.

sexta-feira, março 04, 2011

depois e antes

zen. a palavra juntamente com uma pilha de livros pela minha esquerda. fruta, tecnologia e os pés quentes.
todavia quero mais e nada acontece.
"when I was greener than a gun". não vamos chegar a lado nenhum desta forma. aquele corredor caiado, o telefone novamente na esquerda, as portas de madeira, branca, e a cozinha. no final, uma portinhola com uma rede verde e vista do jardim com uma árvore de fruto. e a bela da sombra.
voar. sinónimo de liberdade.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

tiras

de papel obviamente. adverbial. nominal.
o sol bate e reflecte o verde dos ramos da árvore, prostrada há séculos em frente à praia, a fazer sombra aos passageiros. mundanos. daqui e d´acolá. o vento, omnipresente aqui e ali, esse faz-se sentir sem ser convidado.
bem longe, no horizonte do final do dia, um barco. uma ilha. de passagem como sempre.

erguer

a caneta ou o lápis. imaginar linhas e folhas completas com palavras. com ou sem sentido.
rolar. cabecear. esfregar os olhos e pegar novamente num conjunto de livros. a composição no armário e aquele pedaço de memórias da infância encostadas na parede, dentro de um caixote de plástico. sinais do tempo.
e o vento. sempre o vento.

quinta-feira, maio 13, 2010

epígrafe

uma cozinha e um forno de lenha. o chão de pedra fria com o seu cheiro acre inconfundível. o corredor que nos aperta a passagem, o padrão dos azulejos bejes e castanhos que nos moldam a memória. a tristeza inerente ao tempo. um manifesto agudo da nossa humanidade.

o mapa

uma saída repentina. o caminho afigura-se tempestuoso, com nuvens baixas. o poder do assobio é insuperável. nisto revejo o meu bloco de notas. rabiscos e algumas gralhas detêm-me na imensidão dos plátanos e arbustos. estou a delirar.
abri os olhos e estou no escuro. novamente. mexo os braços e reviro os olhos. um mapa indecifrável e novamente o horizonte repleto de incertezas.

terça-feira, abril 06, 2010

o que se passa aí ?

o espectáculo vai começar anuncia o fazedor de sonhos. e nada acontece. saio disparado como uma bala. uma pausa e a lentidão instala-se novamente.
uma pilha de roupas no sofá, uma mente que dorme e o som da aparelhagem a encher o vazio dominante da sala.
está na hora.

um fado florestal

encontro-me a trilhar caminhos estranhos. daqueles que nunca se adivinha o final. por ser tarde, desvio-me do trilho principal à procura de um abrigo. não. algo que soa a diferente. um díptico ou uma onomatopeia ao longe, naquela distância que te leva à impaciência.
um cerrar de olhos deve resolver a situação. sim. mas não completamente que já é noite. sussurro às folhas e aos habitantes do escuro que agora me envolve uma frase enigmática. para mim e não para eles.
foi assim que passei no exame.